A aldeia de Santa Maria do Freixo ocupa praticamente todo o espaço disponível no interior do perímetro amuralhado de Tongobriga.
 
O seu centro – a igreja paroquial de Santa Maria e o respetivo adro – é também o centro do povoado castrejo, do núcleo urbano romano e da aldeia medieval.
 
Organiza-se ao longo de uma estrada que constitui o seu eixo principal, o qual foi, até finais do século XIX, a única estrada de ligação entre Canaveses / travessia do Tâmega e a Régua / travessia do Douro.
 
Esta situação só se alterou com a abertura de um novo troço da estrada nacional Porto – Régua, que passou a nascente da aldeia, retirando-lhe o sentido e o sustento, que era garantido pelos viandantes e potenciais clientes. A nova estrada polarizou o estabelecimento de casas comerciais, condenando as antigas “vendas” e “lojas” da aldeia ao encerramento.
 
Como todas as povoações cuja fisionomia se deve à passagem de uma rua ou estrada principal, tem uma planta alongada, sendo que a quase totalidade das suas construções se situa à face dessa estrada. A maior parte das construções da aldeia é em granito local, muito dele reciclado dos edifícios romanos de Tongobriga. Quase todas datam entre finais do século XVIII e inícios do século XX. A época de maior construção, na aldeia, foi o século XIX. Poucas edificações datam já do século XX.
 
Numa visita à aldeia do Freixo, destacamos:
 
Igreja paroquial de Santa Maria do Freixo
Uma parte significativa do edifício que hoje vemos é o resultado da reconstrução realizada em 1968. A sacristia foi construída no século XIX e a torre sineira no século XVIII. Porém, a planta da igreja atual decalca a planta da igreja medieval e, em parte, a de uma domus romana, provavelmente utilizada, nos séculos V e VI, como primitivo edifício de culto da paróquia sueva de Tongobria, integrada na diocese portucalense.
 
No pavimento do adro da igreja, está marcado, com pedra de tom amarelado, o perímetro da construção romana cujo piso estava revestido a mosaico polícromo, datável da segunda metade do século IV d.C. ou inícios da centúria seguinte.
 
A Sul da igreja é ainda possível observar as ruínas de uma outra domus romana e parte de uma das ruas com que se estruturava a malha urbana.
 Conhecer Espaços Serviços e Equipamentos odt 3c5e3640Igreja de Santa Maria do Freixo
 
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Reconstituição do mosaico polícromo (2.ª metade do séc. IV d.C./início do séc. V d.C.
 
Edifícios relacionados com a “Feira da Quaresma”
Uma parte significativa dos mercadores que afluíam todos os anos à antiga e famosa “Feira da Quaresma” instalava as suas vendas em construções feitas com materiais perecíveis que, como tal, eram praticamente refeitas todos os anos e não resistiram ao tempo. Eram os “beirais” ou “alpendres” da feira.
 
Porém, também havia edifícios de pedra que resistiram até aos nossos dias, como as residências da Abadessa, do Feitor e do Padre Cura. Algumas das casas em que se vendiam os produtos da Feira, como os doces ou os sapatos, também ainda se conservam.
 
Chegaram também até nós algumas das “vendas”, pequenas janelas viradas para a rua através das quais se fazia diretamente a venda ao público.
 
Realce, ainda, para alguns dos mais emblemáticos espaços da antiga Feira, como o Olival da Padeira, o Outeiro do Curral, a antiga Praça do Peixe, o Outeiro das Castanhas e dos Feijões, e a atual Rua dos Judeus, outrora chamada Rua dos Mercadores.
 
Sobre a visita temática direcionada para a antiga “Feira da Quaresma”, podem obter-se mais informações em “Visitar” – “A Feira da Quaresma”.
 
Salienta-se ainda o facto de estar atualmente instalada no andar superior do edifício da Junta de Freguesia do Freixo (integrada na freguesia do Marco desde 2013) e atual sede da Associação de Amigos de Tongobriga, uma exposição temporária dedicada ao 500º aniversário do mais antigo documento escrito sobre a Feira da Quaresma.
 
Conhecer Espaços Serviços e Equipamentos odt m27ad8032 Conhecer Espaços Serviços e Equipamentos odt 9f8695b Rua dos Judeus atual (outrora Rua dos Mercadores)
  
“Casa do Capitão” e Solar dos Serpa Marques
A par do núcleo constituído pela Igreja paroquial, edifícios adjacentes ao adro, e Rua dos Judeus, este conjunto de edifícios é um dos mais notáveis da aldeia, não só pela imponência e qualidade arquitetónica do Solar, mas também pelo seu significado histórico.
 
Situado no extremo Sul da povoação, já era considerado, na época da sua construção, como “subúrbio do Freixo”. No entanto, ainda se integra dentro do perímetro amuralhado da antiga Tongobriga.
 
Desde que se mudou com sua mãe, do lugar de Covas onde nasceu, para o centro da aldeia, António de Serpa Pinto instalou-se numa humilde casa, ainda hoje conhecida como “Casa do Capitão, na qual, constou-nos1, ainda vagueia a sua alma, preocupada com a defesa do povo, que de outra forma ficaria à mercê das infames ações do Marechal Soult e do seu temido General Loison, o célebre “Maneta”.
 
A sua construção foi iniciada por António de Serpa Pinto nos últimos anos do século XVIII. Foi certamente pensado como habitação de família, constituída em 1797, por via do seu casamento com D. Maria Miquelina Vieira da Silva, habituada ao conforto da ilustre Casa da Ordem, em Canaveses.
 
Um primeiro projeto, datado de 1795, jamais foi concluído. Três anos depois, em 1798, António de Serpa Pinto já está casado, já é pai, e também já é proprietário de, pelo menos, uma parte dos terrenos em que, ao longo de todo o século seguinte, iria crescer o Solar que ainda hoje está na posse dos seus descendentes.
 
O núcleo central do Solar ainda se deveu a António de Serpa Pinto. A seu filho, Luís Máximo, deve-se a sua ampliação para Sul, através da construção de um novo módulo, de volumetria distinta (1853). Ao seu neto, Agostinho de Serpa Pinto, deve-se a capela privada, dedicada, por isso, a Santo Agostinho (1878) e o muro, gradeamento e portão do terreiro frontal (1885).
 
Conhecer Espaços Serviços e Equipamentos odt 71110512"Casa do Capitão"     Conhecer Espaços Serviços e Equipamentos odt m2743a56cSolar da Família Serpa Marques
 
1) Informação não oficial. Aguarda confirmação baseada em testemunhos credíveis
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