Sabia que os famosos “Doces do Freixo” eram confecionados na aldeia de Santa Maria do Freixo, e aí vendidos por altura da famosa “Feira da Quaresma”, contrariando todas as restrições ao pecado da gula que o período da Quaresma impunha?

Doces do Freixo

Pelos seus ingredientes, aspeto e paladar, os Doces “do Freixo” não escondem a sua origem conventual, que remonta, sem dúvida, a ancestrais receitas, materializadas por dedicadas freiras em divinais pecados.

Segundo alguns autores, os doces faziam parte do quotidiano gastronómico conventual. Segundo outros, o seu fabrico cingia-se a celebrações e ocasiões festivas, pautando-se sobretudo pelo calendário litúrgico. A doçaria conventual teria um carácter solene e constituía até uma importante arma diplomática, a julgar pelo rol de mimos, brindes e consoadas com que as freiras presenteavam – por exemplo, no Natal – uma extensa lista de padres, abades, bispos e principais colaboradores e fornecedores externos do convento.

Durante muito tempo as receitas não terão passado para o lado de fora das grades dos conventos. Tal só terá começado a acontecer a partir do segundo terço do século XIX, ao que tudo indica, como recurso de sobrevivência.

Mas, no caso do Freixo, falamos de qual convento? Jamais houve aí um. Os Doces do Freixo não têm, por isso, uma origem evidente. Desvendar essa origem não é, pois, tarefa simples.

Somos tentados a fazer remontar a confeção destes doces ao tempo em que as terras do Freixo pertenceram ao desaparecido convento feminino de São Salvador de Tuías, que se situou a escassos dois quilómetros de distância.

As freiras do Convento de Tuías, cujo couto incluía o Freixo, além de serem legítimas e diretas senhorias destas terras e da sua vetusta e importantíssima “Feira da Quaresma”, estiveram, desde a sua fundação no segundo quartel do século XII, intimamente ligadas ao Convento de Arouca, também ele famoso pela sua doçaria. Porém, se as freiras de Tuías se dedicavam a esta deliciosa atividade, disso não nos chegou qualquer testemunho.

Em 1518, por ordem de El-Rei D. Manuel I, Tuías foi, juntamente com outros conventos, condenado à extinção, concretizada em 1535 com a transferência das suas freiras para o recém-criado Convento de São Bento de Avé-Maria da Cidade do Porto, então erguido no local onde hoje existe a estação ferroviária que herdou uma parte do nome do seu antecessor.

Dizia El-Rei que a transferência era motivada pelo facto de esses conventos, ora extintos, “estarem em locais ermos para habitação de mulheres”, sendo que neles se fariam “obras de pouco serviço de Deus”.

Com as freiras de Tuías, passaram também para o Convento de Avé-Maria todas as propriedades do finado Mosteiro, entre elas as terras de Santa Maria do Freixo e a sua conhecida Feira anual, uma das maiores do Norte de Portugal, feira essa que – mercê dos generosos proveitos económicos que proporcionava – mereceu grande atenção por parte das suas novas senhorias.

Protegida e transferida para o centro da aldeia do Freixo – até então realizava-se no recinto fechado do antigo Fórum de Tongobriga, a Feira da Quaresma não só sobreviveu, como se transformou.

E consigo, transformou radicalmente a estrutura económica e social da aldeia, outrora quase exclusivamente baseada em pobre agricultura.

Entre várias outras atividades viradas sobretudo para o comércio, ganhou especial importância na aldeia do Freixo o fabrico de doces e pão, baseado na experiência, na sabedoria e nos segredos das freiras reunidas em São Bento de Avé-Maria.

Entre 1862 e 1896, só na aldeia do Freixo, os registos paroquiais contabilizam nada mais, nada menos, do que 18 referências a doceiras e 30 menções a padeiros(as), o que nos revela a laicização e disseminação desta atividade.

Esta próspera atividade doceira na acrópole da velha Tongobriga pouco mais tempo duraria.

A promoção da “aldeia do Marco” a sede de concelho retirou protagonismo ao Freixo e não tardou a roubar-lhe a sua famosa feira, convertendo-a no primitivo feriado municipal.

Ainda no século XIX, na década de 70, foi rasgada a estrada para a Régua, que desviou o trânsito e os clientes do centro da aldeia do Freixo, oferecendo-os de mão beijada às casas de comércio que começaram a surgir ao longo da nova artéria.

Em 1892, a última freira de Avé-Maria entregou a alma ao Criador, abrindo caminho à demolição do seu convento e à definitiva laicização da arte de bem confecionar os Doces que tomaram o nome do lugar em que se faziam. António Lima

O Mosteiro iluminou[-se] externamente (…) e lá- dentro, na sala de entrada e no pateo, com profusão se serviam em aparatosos taboleiros cobertos de finas e rendadas toalhas, os manjares, os pasteis, as trouxas de ovos, os ovos em fio, os rebuçados, os vinhos generosos, o chá, as loiras fatias de pão de ló, todas as guloseimas que tão delicadamente se fabricavam nas vastas e bem providas cozinhas dos mosteiros. As criadas andavam numa roda viva, lépidas e amáveis, acudindo solicitamente a todos os que reclamavam os doces magníficos dos seus ricos taboleiros”

Descrição dos festejos realizados nos dias 13, 14 e 15 de outubro de 1871 no Convento de São Bento de Avé-Maria do Porto, por ocasião do início do abadessado da Veneranda Madre Ermelinda Doroteia de Freitas Faria e Gouveia, última abadessa eleita de Avé-Maria.

Firmino Pereira – O Porto d’outros tempos. Notas Historicas. Memorias. Recordações, Porto, 1914, p. 18.


Gostaria de proporcionar aos seus convidados, amigos, familiares ou clientes, um serviço de degustação num ambiente único?

Gostaria de poder dispor de uma refeição, para si e para aqueles que o acompanham, sem precisar de sair da Área Arqueológica do Freixo?

Gostaria de aliar à sua visita o prazer da degustação de produtos gastronómicos locais?

Pretende otimizar o tempo limitado de que o seu grupo (estudantes, professores, outros profissionais) dispõe para a visita a este vasto sítio arqueológico?

Se a sua resposta é sim a qualquer uma destas perguntas, disfrute de uma “Visita Gourmet”, na modalidade que se adequar mais às suas preferências

 

Pequeno-almoço no Restaurante Tongobriga

Por favor, contacte os nossos serviços aqui. (A disponibilizar brevemente)

 

Almoço regional no Restaurante Tongobriga

Por favor, contacte os nossos serviços aqui(A disponibilizar brevemente)

 

Almoço volante para grupos de crianças e/ou jovens

Por favor, contacte os nossos serviços aqui(A disponibilizar brevemente)

 

Degustação de doçaria conventual e vinhos verdes

Por favor, consulte as condições:

SERVIÇO DE DEGUSTAÇÃO DE “DOCES DO FREIXO” NAS RUÍNAS DE TONGOBRIGA

Entidade que presta o serviço: Doces do Freixo – Casa dos Lenteirões
Av. Futebol Clube do Porto, 1635
4630-091 Freixo MCN
Telefone: 255 522 180
e-mail: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

Proposta (por pessoa): DOCES
1 “Fatia do Freixo” (doce principal)
2 “Biscoitos” (amanteigado / milho)
1 “Bolo de Chila”
1 “Cavaca”
[Com exceção da “Fatia do Freixo” cujo consumo é aconselhável no momento, todos os restantes doces são servidos em pequenas embalagens individuais que podem ser consumidas no momento ou levadas para consumo posterior]
BEBIDAS
À escolha: 1 Cálice de Vinho do Porto
ou
1 Sumo Natural de Laranja
ou
1 Garrafa de água mineral
Custo (por pessoa): 4 (quatro) euros
O serviço é proporcionado pela empresa “Casa dos Lenteirões – Doces do Freixo”, que assume toda a responsabilidade sobre a sua boa execução.
Quaisquer dúvidas sobre o serviço e respetiva faturação devem ser colocadas diretamente à empresa.

 

Degustação de padaria e charcutaria regional (fabrico local)

Por favor, consulte as condições:
SERVIÇO DE DEGUSTAÇÃO DE “PRODUTOS GASTRONÓMICOS DE PRODUÇÃO LOCAL” NAS RUÍNAS DE TONGOBRIGA

Entidade que presta o serviço: Maria Emília – Produto Artesanal
Rua da Seara, 180
4630-195 Freixo MCN
Telefone: 931 624 399

Proposta (por pessoa): 1 Pão com chouriço
ou
1 Pão com cogumelos e queijo
+
1 copo de Vinho Verde Branco
ou
1 Cerveja
ou
1 Sumo Natural
ou
1 Garrafa de água
+
1 Fatia de Broa de Milho e Centeio com Marmelada
Custo (por pessoa): 4 (quatro) euros
Extras: Por encomenda prévia, podem ainda servir Broa de milho e centeio cozida em forno a lenha em unidade produtiva artesanal, Marmelada de Marmelo, Compotas de Frutas, Licores e Açafroa.
O serviço é proporcionado pela empresa “Maria Emília – Produto Artesanal”, que assume toda a responsabilidade sobre a sua boa execução.
Quaisquer dúvidas sobre o serviço e respetiva faturação devem ser colocadas diretamente à empresa.

 

Serviço de chá com biscoitos regionais (serviço sénior)

Por favor, contacte os nossos serviços aqui.

 

As “Visitas Gourmet” são serviços prestados através de protocolos de colaboração com entidades comerciais.

À Estação Arqueológica do Freixo compete cobrar apenas o preço dos bilhetes de visita ao Monumento e a prestação do serviço de guia a eles associado.

Os serviços gastronómicos são proporcionados diretamente pelas empresas envolvidas, as quais assumem toda a responsabilidade sobre a sua boa execução.

Quaisquer dúvidas sobre esses serviços e respetiva faturação devem ser colocadas diretamente às empresas.

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